domingo, 17 de junho de 2007

Cap. 5 - Reflexões pós-Curitba (mesmo que tardias)

Pois é, algumas pessoas até sabiam, pra quem não sabia, vou contar: tirei uma semaninha e fui pra Curitiba. Pra ser mais exato, passei alguns dias no sítio do meu avô (a uns 120 km da capital paranaense) e depois alguns dias na capital propriamente dita. A viagem na verdade foi em virtude da comemoração das bodas de ouro de meus avós que seriam comemorados no fim dessa semana. Resumindo, a viagem foi ótima. Reencontrei familiares que não via à bem uns 6 ou 7 anos. Reencontrei meus primos que moram no PR. Foi tudo uma delícia. Mas óbvio, minha cabeça sempre atenta a algum tópico para post, captou alguns lances, e vou discrevê-los em alguns sub-capitulos.
5.1 - Avô
A convivencia com meu avô sempre foi um problema quando ia para o sítio. Sempre me irritava com sua "pegação no pé". Dessa vez não. Achava graça de tudo. Todos os seus ataques de "xaropice" eram motivos pra dar risada. E ele vendo que eu achava graça, muitas vezes dava risada também. Achei isso maravilhoso. Na verdade resolvi relevar pois tive um daqueles momentos de reflexão da vida, e percebi que não teria muitos momentos gostosos pra me lembrar de meu avô, dps q ele fosse embora. Pois todas as vezes q ia pra lá, arrumavamos alguma coisa pra brigar. Na verdade ele brigava, e eu dava moral. Dessa vez não, como disse, deixei q ele brigasse comigo, mas eu, ao invés de rebater, dava risada, como se achasse graça, não por falta de respeito, mas pra mostrar pra ele que aquilo não tinha peso e não ia mudar nada de verdade... E ele deve ter percebido de alguma forma. Pois passou a dar risada junto comigo, como tb já tinha dito acima.

5.2 - Pai
Esse sim, tem sido difícil. Mas também tirei algumas lições. Pra variar, brigamos enquanto estavamos na cidade perto do sítio. Na verdade, ele quis começar a brigar por um motivo idiota do qual eu não tinha nada a ver. Eu, simplesmente disse que iria embora sozinho pro sítio caso ele continuasse, e foi o que eu fiz. Resumindo: ganhei 1 hora na cidade que fica lá perto, que é linda, diga-se de passagen, tirei umas 100 fotos de lugares charmosos da cidade (Antonina-PR), de quebra voltei de ônibus-circular, em pé, cheio de pessoas da região, com seus costumes e sotaque típico da região de Curitba (aquele do "leite-quiente"). Estou gostando muito desse lance de observar os outros.
(abrindo um parenteses e aproveitando pra divagar) Hoje resolvi dar uma lida no jornal Bom Dia que circula aqui na cidade, e reparei numa reportagem em que o reporte sai da redação sem uma pauta e, pelo que entendi, no meio do caminho resolve o que perguntar e tal. E o tal reporter resolveu visitar um hospital psiquiatrico que tem aqui em Rio Preto, na represa. E ele narra suas impressões sem se preocupar muito com regras e firulas, e no fim, descreve que ao sair do hospital, em cada pessoa que ele observava na rua tinha a impressão que a qualquer momento essa pessoa poderia ter uma das reações "estranhas" que as pessoas internadas tiveram durante sua visita. E, narrava ainda, que algumas pessoas de fato, demonstraram tais reações, mas que se ele não tivesse tido contato com pessoas, diagnosticadas como, loucas jamais teria percebido isso. Interessante isso. (fechando o parenteses e voltando às reflexões curitibanas)
5.3 - Família no geral
Essa foi a conclusão mais legal à qual cheguei. Impressionante como podemos nos dar bem com pessoas das quais não temos contato frequente. E o melhor, além de se dar bem, é sentir que existe uma certa intimidade. Sempre achei relacionamento em família uma coisa complicada. Mas, como disse hoje em conversa com uma certa pessoa: a vida é simples, nós é que gostamos de complicar. A vida é sempre SIM ou NÃO. Nós é que inventamos o "talvez", "acho", "pode ser", "não sei". E também acho que outro problema é levarmos tudo a sério demais. Ultimamente, qq briga, raiva, richa, em mim pelo menos, dura no máximo 1 dia. Pra que perder tempo, se desgastar, tentando descobrir o que alguém pode ter querido dizer. Deixa pra lá. Gente boba essa que fica levando esse tipo de problema pra frente. Eu não, gosto de pisar e continuar andando.
Ainda sobre a família, é legal descobrir que vc não é único saudosista por perto. Mais legal ainda, é descobrir que o mais rebelde, é um dos poucos que sente aquela mesma saudade que vc sentia, dos tempos de comer no pratinho de plastico na casa da vó, de brincar de carrinho de roleman também na casa da vó. Por essas e outras que acredito sim, que carregamos ítens da nossa personalidade em nossos genes.
5.4 - Belezas
O sítio continua lindo. (tenho colocado fotos no meu flog www.fotolog.com/lungao) Com certeza, se a venda for concretizada, vou sentir saudades de lá. Saudade da energia que ele nos dá, da beleza que salta aos olhos de todos q lá visitam, de pular no rio de água gelada, de correr com o Gugão na grama, de visitar a roça que continua sempre igual e mesmo assim parece sempre tão diferente. Olha o saudosismo.
5.5 - Conclusão
Foi tudo ótimo. Se melhorasse, estragava. E precisávamos reunir a família de novo. Apesar de saber que na maioria das vezes esse tipo de plano não sai do papel, culpa, quase que totalmente, da vida corrida e da distancia. Mas vou me esforçar.

*Foto do Pico do Paraná. Tirada da varanda do sítio.