terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cap. 7 - Eu: vítima de estelionato

Hoje vou mudar um pouco o estilo do meu blog. Saio dos textos cheios de nostalgia e carregados de impressões pessoais, pra uma espécie de desabafo em decorrencia de fatos criminosos que vieram a fazer parte da minha semana.

Resumindo: clonaram meu cartão de crédito e tentaram fazer compras com ele...

Vamos lá, estou eu trabalhando na segunda-feira qnd toca meu celular, do outro lado uma dessas atendentes perguntando se estou tentando fazer compras com meu cartão de crédito, digo que não, ela insiste perguntando se o cartão está em meu poder, confirmo, ela afirma então que ele foi clonado e que já está fazendo seu bloqueio. Confirma o número, e confirma, tb, o bloqueio. Diz que foram efetuadas 3 ou 4 tentativas, nenhuma com sucesso pois foram em valores que ultrapassam o meu limite.

Fiquei então assustado com tal situação, tentando advinha o que fazer. Liguei ao banco, e fui orientado, primeiro, a apenas comparecer na agencia para modificação da senha, uma vez que o cartão já havia sido bloqueado, me restava apenas esperar chegar o novo cartão.

Desconfiado então, de onde poderiam ter clonado meu cartão, comecei a relembar os lugares em que usei o cartão, e desconfiei então, de quarta feira, onde tentei passá-lo na Porcada de Bady e o mesmo foi recusado 3 vezes, e só na 4º a transação foi autorizada.

Liguei novamente para a agencia, a fim de me informar se era possível fazer uma denuncia por desconfiar desse estabelecimento, e assim, fazê-lo sofrer uma fiscalização. Quando, a atendente que me presta informações nessa ligação afirma:
-Eu sei onde seu cartão foi clonado.
Eu respondo:
-Como assim você sabe?????
Ela diz:
-Seu cartão foi clonado na agencia.....
Eu:
-...
Ela:
-Isso mesmo, você não usou seu cartão nesse fds em algum dos nossos caixas de auto atendimento? Pois bem, uma quadrilha está agindo aqui, mas a polícia já a está rastreando. Espero que os prenda logo.
Eu:
-...

Ela então me orientou a fazer um boletim de ocorrencia, ir até a agencia para fazer a mudança das senhas e confirmar o bloqueio do cartão, fazer um estudo das transações recentes, e entregar uma cópia do boletim de ocorrencia.

Pois bem, fiz o que me foi pedido.

Mas o que mais deixou abismado não foi o fato de ter sido vítima de um crime desses. Mas sim, a frieza e aparente "pouco caso" da funcionária do banco afirmando que a clonagem foi feita dentro da própria agencia. Considero isso, no mínimo, um absurdo.

Eu sou o tipo de cliente que paga todas as taxas por mim impostas por bancos e qualquer outra empresa, assim como evito pedir muitos descontos pois acho que cada um deve saber quanto custa seu produto; se o preço não me agrada, simplesmente mudo de loja ou empresa. Acho, portanto, um absurdo uma empresa que cobra por pequenos pedaços de papel que provam que eles não fizeram nada de errado com o meu dinheiro, dizer que é vítima de uma quadrilha especializada, tem consciecia disso, mas que ainda não conseguiu resolver tal problema.

Na minha (humilde) opnião, já que não prendem a tal quadrilha, que contratem um segurança que fique do lado dos caixas de auto atendimento 24 horas por dia. Eu pago para que eles tomem conta do meu dinheiro, e espero, assim como qualquer outro cliente, que isso seja feito de forma satisfatória. O que não acontece.

Daí comento a história com conhecidos, e um me diz:
-Ah, mas se tiram algum valor da sua conta, o banco devolve rapidinho.

Putz... que alívio.... afinal de contas, se tivessem conseguido tirar alguma grana da minha conta, conseguiria tudo de volta. Tudo bem que o susto que eu levei ao receber uma ligação desse tipo não teria volta. O tempo que gastei indo até a delegacia abrir o boletim de ocorrencia, mais as quase 2 horas esperando que chegasse minha vez de falar com o tal escrivão que registraria meu BO, mais o tempo que perdi voltando até a minha empresa, tb não teria de volta. Tudo bem que a 1 hora que perdi esperando ser atendido no banco pela atendente que tem um monitor, em frente a sua mesa com o número de senha a ser chamado, e que eu, inocente, esperava anciosamente ilustar minha senha A0011 e que, na hora que sentei na mesa, após indagar o porque de se ter um controle por senha, sendo que o mesmo não é respeitado e ser informado que aquilo "não está funcionando direito" também não terei de volta. Sem problemas, também, que o fato de ficar sem cartão do banco me tira a liberdade de sacar O MEU DINHEIRO na hora em que eu bem entender, além de ter que enfrentar filas e sacar "direto no caixa" até que o cartão novo chegue. Também não ligo pro fato de que, ao chegar o novo cartão, terei de desbloqueá-lo na agencia, receberei aquelas benditas "3 letras de segurança" e terei que decorá-las novamente. Nesse caso do desbloqueio e na obtenção das "3 letras..." torço pra não ser a hora de "abastecimento da máquina", pois a atendente, simplesmente cortará a fila bem na minha frente, me pedirá, seca, que me dirija até outra máquina e isso vai significar mais alguns minutos perdidos em outra fila... e nem vou falar o que falei da outra que vez que isso aconteceu:
-Moça, eu sou seu cliente, portanto, no mínimo, você deveria entrar depois de mim na fila, orientar quem entrasse atrás de vc, que a máquina será parada para uma manutenção qualquer e não simplesmente entrar na minha frente me obrigando a mudar de fila.
-Eu entrar na fila? (olhar cínico) humf..... (essa foi a resposta daquela que ganha "bem" pra me atender)

E é por essas e outras, que dessa vez farei diferente:
-Primeiro vou fazer uma reclamação oficial ao Banco do Brasil pela falta de segurança em seu sistema de auto-atendimento, pela falta de preocupação de seus funcionários por simplesmente afirmarem que o meu transtorno começou dentro da própria agencia, pela falta de organização nas informações passadas as clientes, pela falta de respeito quanto à obediencia da "ordem de chegada".
-Em segundo lugar pretendo procurar o órgão governamental que fiscaliza as agências bancárias, e fazer uma reclamação protocolada desses problemas por mim enfrentadas.

Pretendo usar também do cinismo e indagar se eles poderão me ressarcir por eventuais prejuízos que tive em minha empresa, ao deixar de atender clientes enquanto corria atrás de resolver problemas causados por falta de preparo de funcionários, por um sistema de segurança falho.

Tenho a leve desconfiança que, com essas reclamações, não vou mudar muita coisa com relação ao sistema de segurança em bancos, também não devo conseguir melhoras quanto ao treinamento que os funcionários devem receber antes de ocupar o importante cargo de "atendimento ao público" nem ao menos, devo conseguir com que os bancos se convençam de que vale mais investir em políticas que deixem o cliente satisfeito, do que em políticas que ressarçam os clientes depois de incovenientes como esses enfrentados por mim, pois tempo gasto, susto, medo, desconfiança e algumas outras coisas que passei essa semana, não são totalmente calculadas em cifras. Ainda, pelo menos.

Perplexo, me despeço.....

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Cap. 6 - Decisões: Saldos e Balanços

Às vezes paro pra pensar na vida. E tento descobrir, ou concluir, como estaríamos agora, se tivessemos tomado alguma decisão diferente em nossas vidas.
Claro que durante um tempo, na minha opnião, somos o resultado das decisões de nossos pais, pois cabe a eles escolher onde vamos estudar, o q vamos comer, o q vamos vestir, qnd cortar o cabelo, em qual médico vamos nos consultar e assim por diante.
Passada essa fase, começamos a viver um pouco as nossas decisões, apesar de nossos pais continuarem tentando decidir. Nessa fase ouvimos muito as perguntas: onde vc tá sentando na sala? com quem vc tá andando? Ele é bom aluno? É de boa família? E apesar de todos os conselhos, a verdade é que andamos com quem mais nos identificamos ou, infelizmente, com quem mais chama a atenção. Claro, que nessa fase os "caras" que mais chamam a atenção são os que fazem alguma coisa de errado, pois estamos na fase da desobediencia, rebeldia, enfrentação, inquietação, e etc. E por nossas próprias escolhas, optamos por um caminho saudável, ou por um caminho "perigoso". Eu me considero um cara de sorte, pois, apesar de ter optado por caminhos pouco "comportados", no fim, acho q me saí bem: nunca me meti em grandes confusões, nunca fui tratado como um cara problema, sempre tive vários amigos, dos mais variados tipos, comportamentos, classes, culturas, etnias, religiões, etc, sempre me saí razoável na escola, nunca repeti de ano, e outras coisas.
Pois bem, voltando ao campo das decisões.
À partir dessa fase, comecei a fazer minhas escolhas, e como já disse, considero o saldo positivo. Tb nessa fase, fui praticamente obrigado à fazer um curso, na área de informática, que não queria ter feito, à princípio; pois jogava handebol no time da cidade, e caso optasse e passasse no curso, teria que abandonar o jogo, coisa que, na época, classificava como a mais importante coisa que fazia. Claro, empolgação de moleque: viajava bastante, me sentia importante representando a cidade em competições regionais, apesar de hoje ver que não jogava bem, na época me considerava um promissor jogador da seleção brasileira de handebol. Mas, graças a minha Mãe, fui obrigado a fazer o tal curso.
Mais uma vez, o saldo foi positivo. Pois considero aquela época uma das melhoras da minha vida, sinto que sou o profissional que sou hoje, graças aos ensinamentos que tive de meus professores. Tb considero minha facilidade em entender informática, vinda da lógica ensinada por eles. Là tb tive minha primeira namorada, mas isso não faz muito parte do contexto.
Durante o curso, tb fui obrigado à fazer cursinho pré-vestibular. Durante o cursinho, resolvi que não queria passar na faculdade, pois teria que ir embora de Rio Preto, coisa que na época, achava inconcebível, em virtude daquela namorada do curso técnico. E essa, foi a primeira grande decisão que tomei na minha vida. E fico feliz, pois tb acho que o saldo foi positivo.
Prestei vestibular, óbvio, não passei. Tinha acabado de tirar carta de motorista, pensei: boa, sem estudar, com carta de motorista, vou zuar.
Mais uma vez, minha mãe, com seu sábio e opoturno poder de "obrigar-me" às coisas, disse: quer sair, bota gasolina.
Tomei então, a decisão de trabalhar.
Comecei a trabalhar, óbvio, com informática. Fiquei nessa empresa por quase dois anos. Nesse meio tempo, tomei decisões menores que talvez não tenham me influenciado muito.
No fim desses quase dois anos, sofri uma perda considerável, pois uma namorada resolveu ir embora de Rio Preto, me senti perdido, e decidido à tomar outra decisão e assim mudar minha vida.
Decidi então passar um carnaval numa cidadezinha. Alguma coisa na cidade me chamou a atenção. Tomei então, a decisão mais importante da minha vida: vou embora pra lá.
Larguei emprego, família, amigos, e embarquei nessa que seria minha maior aventura.
Fui. Sofri, corri, chorei, arrumei emprego, fiz amigos, cresci no meu íntimo, amadureci profissionalmente, criei convicções próprias, me identifiquei com ideologias que me foram apresentadas e vi nelas, explicações para coisas que não entendia até então.
No balanço, claro, saldo positivo. E não me façam explicar pq considero o saldo dessa decisão como positivo. Os motivos foram tantos, diversos, de intensidades diferentes, de proporções absurdas.... sinto até um frio na barriga de pensar em tudo.
Pois bem, por motivos diversos, fui obrigado à tomar outra decisão: voltar ou ficar.
Voltei.
Mais uma sábia decisão, pois nada acontece por acaso: tudo o q tinha pra aprender, absorver, sentir daquele e naquele lugar, havia se esgotado. Tinha ultrapassado mais um estágio da minha vida, e nunca me senti tão realizado, com aquele sentimento de "dever cumprido", como senti no dia q resolvi vir embora.
E mais uma vez, considero o saldo totalmente positivo. Reencontrei pessoas aqui, que me amavam, que se importavam comigo.
Reencontrei valores que havia esquecido o gosto. Pois até brigar com irmão faz falta qnd se está longe. E no começo foram muitas brigas. Foram tantas, q por um momento, pensei q tivesse tomado a decisão errada. Mas não, foi a certa.
Aprendi que nem tudo acontece da forma e qnd queremos. Aquelas brigas, ainda faziam parte da minha escolha de ter ido embora pra cidadezinha.
Pois bem, depois disso, minhas escolhas envolveram mais meu lado profissional. E isso nem vou comentar pois foram decisões com o saldo ainda perto do negativo, mas sei q no futuro, vou tb considerá-las positivas.
A verdade é que nunca sabemos o caminho correto, e por mais que pensemos que tomamos a decisão errada por estarmos sofrendo, por estarmos distantes de pessoas queridas, por estarmos fazendo coisas q não gostaríamos, no fim, vamos perceber q tudo aquilo valeu a pena. Pelo menos eu, penso assim.
Pois poderia muito bem achar que minha mãe acabou com o meu sonho de chegar na seleção de handebol. Depois, poderia me culpar por ter escolhido ir pra cidadezinha, ficar desempregado, morar com minha avó por um tempo e sofrer com as manias e rabugentices próprias da idade dela. Mais ainda, poderia me culpar por ter voltado pra Rio Preto, por todas as brigas que enfrentei ao voltar, por incluir, nos meus motivos pra voltar, uma pessoa que depois me fez sofrer. Poderia agora, já, me culpar por ter decidido trocar de emprego após ouvir falsas promessas, em virtude disso perder uma certa estabilidade financeira, perder o único bem de valor que já pude adquirir e outras coisas.
Mas não.
Prefiro ver tudo pelo lado bom.
Acho que 99% das decisões que tomamos, não podem ser voltadas atrás, então temos q tentar ver tudo pelo lado bom. Sempre tirando proveito positivo de situações que passamos.
E por favor, quem ler isso, não tome como conselho.
Pois não são.
Continuo errando nas minhas decisões, portanto, quem sou eu pra dizer à alguém, o que fazer ou não.
Na verdade, gostaria de dar um conselho sim: façam o que acham que devem fazer, e se no fim, parecer q não deu certo, tente mudar seu angulo de visão.

*Na foto, eu, gurizinho ainda. Com certeza, esse corte de cabelo foi decisão da minha mãe.