quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Cap. 6 - Decisões: Saldos e Balanços

Às vezes paro pra pensar na vida. E tento descobrir, ou concluir, como estaríamos agora, se tivessemos tomado alguma decisão diferente em nossas vidas.
Claro que durante um tempo, na minha opnião, somos o resultado das decisões de nossos pais, pois cabe a eles escolher onde vamos estudar, o q vamos comer, o q vamos vestir, qnd cortar o cabelo, em qual médico vamos nos consultar e assim por diante.
Passada essa fase, começamos a viver um pouco as nossas decisões, apesar de nossos pais continuarem tentando decidir. Nessa fase ouvimos muito as perguntas: onde vc tá sentando na sala? com quem vc tá andando? Ele é bom aluno? É de boa família? E apesar de todos os conselhos, a verdade é que andamos com quem mais nos identificamos ou, infelizmente, com quem mais chama a atenção. Claro, que nessa fase os "caras" que mais chamam a atenção são os que fazem alguma coisa de errado, pois estamos na fase da desobediencia, rebeldia, enfrentação, inquietação, e etc. E por nossas próprias escolhas, optamos por um caminho saudável, ou por um caminho "perigoso". Eu me considero um cara de sorte, pois, apesar de ter optado por caminhos pouco "comportados", no fim, acho q me saí bem: nunca me meti em grandes confusões, nunca fui tratado como um cara problema, sempre tive vários amigos, dos mais variados tipos, comportamentos, classes, culturas, etnias, religiões, etc, sempre me saí razoável na escola, nunca repeti de ano, e outras coisas.
Pois bem, voltando ao campo das decisões.
À partir dessa fase, comecei a fazer minhas escolhas, e como já disse, considero o saldo positivo. Tb nessa fase, fui praticamente obrigado à fazer um curso, na área de informática, que não queria ter feito, à princípio; pois jogava handebol no time da cidade, e caso optasse e passasse no curso, teria que abandonar o jogo, coisa que, na época, classificava como a mais importante coisa que fazia. Claro, empolgação de moleque: viajava bastante, me sentia importante representando a cidade em competições regionais, apesar de hoje ver que não jogava bem, na época me considerava um promissor jogador da seleção brasileira de handebol. Mas, graças a minha Mãe, fui obrigado a fazer o tal curso.
Mais uma vez, o saldo foi positivo. Pois considero aquela época uma das melhoras da minha vida, sinto que sou o profissional que sou hoje, graças aos ensinamentos que tive de meus professores. Tb considero minha facilidade em entender informática, vinda da lógica ensinada por eles. Là tb tive minha primeira namorada, mas isso não faz muito parte do contexto.
Durante o curso, tb fui obrigado à fazer cursinho pré-vestibular. Durante o cursinho, resolvi que não queria passar na faculdade, pois teria que ir embora de Rio Preto, coisa que na época, achava inconcebível, em virtude daquela namorada do curso técnico. E essa, foi a primeira grande decisão que tomei na minha vida. E fico feliz, pois tb acho que o saldo foi positivo.
Prestei vestibular, óbvio, não passei. Tinha acabado de tirar carta de motorista, pensei: boa, sem estudar, com carta de motorista, vou zuar.
Mais uma vez, minha mãe, com seu sábio e opoturno poder de "obrigar-me" às coisas, disse: quer sair, bota gasolina.
Tomei então, a decisão de trabalhar.
Comecei a trabalhar, óbvio, com informática. Fiquei nessa empresa por quase dois anos. Nesse meio tempo, tomei decisões menores que talvez não tenham me influenciado muito.
No fim desses quase dois anos, sofri uma perda considerável, pois uma namorada resolveu ir embora de Rio Preto, me senti perdido, e decidido à tomar outra decisão e assim mudar minha vida.
Decidi então passar um carnaval numa cidadezinha. Alguma coisa na cidade me chamou a atenção. Tomei então, a decisão mais importante da minha vida: vou embora pra lá.
Larguei emprego, família, amigos, e embarquei nessa que seria minha maior aventura.
Fui. Sofri, corri, chorei, arrumei emprego, fiz amigos, cresci no meu íntimo, amadureci profissionalmente, criei convicções próprias, me identifiquei com ideologias que me foram apresentadas e vi nelas, explicações para coisas que não entendia até então.
No balanço, claro, saldo positivo. E não me façam explicar pq considero o saldo dessa decisão como positivo. Os motivos foram tantos, diversos, de intensidades diferentes, de proporções absurdas.... sinto até um frio na barriga de pensar em tudo.
Pois bem, por motivos diversos, fui obrigado à tomar outra decisão: voltar ou ficar.
Voltei.
Mais uma sábia decisão, pois nada acontece por acaso: tudo o q tinha pra aprender, absorver, sentir daquele e naquele lugar, havia se esgotado. Tinha ultrapassado mais um estágio da minha vida, e nunca me senti tão realizado, com aquele sentimento de "dever cumprido", como senti no dia q resolvi vir embora.
E mais uma vez, considero o saldo totalmente positivo. Reencontrei pessoas aqui, que me amavam, que se importavam comigo.
Reencontrei valores que havia esquecido o gosto. Pois até brigar com irmão faz falta qnd se está longe. E no começo foram muitas brigas. Foram tantas, q por um momento, pensei q tivesse tomado a decisão errada. Mas não, foi a certa.
Aprendi que nem tudo acontece da forma e qnd queremos. Aquelas brigas, ainda faziam parte da minha escolha de ter ido embora pra cidadezinha.
Pois bem, depois disso, minhas escolhas envolveram mais meu lado profissional. E isso nem vou comentar pois foram decisões com o saldo ainda perto do negativo, mas sei q no futuro, vou tb considerá-las positivas.
A verdade é que nunca sabemos o caminho correto, e por mais que pensemos que tomamos a decisão errada por estarmos sofrendo, por estarmos distantes de pessoas queridas, por estarmos fazendo coisas q não gostaríamos, no fim, vamos perceber q tudo aquilo valeu a pena. Pelo menos eu, penso assim.
Pois poderia muito bem achar que minha mãe acabou com o meu sonho de chegar na seleção de handebol. Depois, poderia me culpar por ter escolhido ir pra cidadezinha, ficar desempregado, morar com minha avó por um tempo e sofrer com as manias e rabugentices próprias da idade dela. Mais ainda, poderia me culpar por ter voltado pra Rio Preto, por todas as brigas que enfrentei ao voltar, por incluir, nos meus motivos pra voltar, uma pessoa que depois me fez sofrer. Poderia agora, já, me culpar por ter decidido trocar de emprego após ouvir falsas promessas, em virtude disso perder uma certa estabilidade financeira, perder o único bem de valor que já pude adquirir e outras coisas.
Mas não.
Prefiro ver tudo pelo lado bom.
Acho que 99% das decisões que tomamos, não podem ser voltadas atrás, então temos q tentar ver tudo pelo lado bom. Sempre tirando proveito positivo de situações que passamos.
E por favor, quem ler isso, não tome como conselho.
Pois não são.
Continuo errando nas minhas decisões, portanto, quem sou eu pra dizer à alguém, o que fazer ou não.
Na verdade, gostaria de dar um conselho sim: façam o que acham que devem fazer, e se no fim, parecer q não deu certo, tente mudar seu angulo de visão.

*Na foto, eu, gurizinho ainda. Com certeza, esse corte de cabelo foi decisão da minha mãe.

3 comentários:

Anônimo disse...

Grande Lunga. Texto foda, hein? Hoje vejo que esse negócio de decisão é dureza, mas a vida é assim. Ah, e vê se não esquece da cidadezinha não, viu? Hahahahahaha, abraços cara, até!

Andy disse...

Fala Otávio.

Muito bom o texto !!
So precisa escrever mais no blog, hehe

Aaa, na parte dos amigos de escola eu me vi um pouco, só num sei se eu era dos mais ou menos comportados, heheh

Quanto ao post uma vez eu ouvi que quando se trata de decisões a tomar, o foda mesmo é que nunca sabemos a resposta do "se", se tivessemos tomado o outro caminho, qual seria o resultado.
Outra coisa, decisões são dificeis e mais ainda pq quando dizemos SIM a alguma coisa, obrigatoriamente estamos dizendo NÃO para todas as outras opções.

Um forte abraço.
Andy

Anônimo disse...

Acredito que sua escolha foi a mais correta.. e por causa desta decisão hoje posso fazer parte da sua vida..
Te amo.. e estarei sempre ao seu lado te apoiando em todas as suas decisões...
Meu namorado, marido...

sempre sua NINA